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Ocupação e povoamento: da colônia aos dias atuais...

Ocupação primitiva da região onde se situa Orizânia


O Vale do Carangola, a começar pelo aflunte do rio, era habitada pelos índios Coroados e Puris que haviam sido expulsos do litoral pelos colonizadores. As perseguições obrigaram esses índios a deixarem o litoral e a se embrenharem nas matas do Rio Paraíba, e, à medida que o povoamento avançava, eles subiram gradativamente pelos afluentes e sub-afluentes Pomba, rio Muriaé e rio Carangola. Saint Hilaire escreveu [13] que na ocupação de Campos dos Goytacazes os bravos morreram e os demais fugiram para as matas de Minas. Para sobreviverem em um meio ambiente desconhecido, adotaram novas formas de vida. Os cabelos, por exemplo, que eram longos quando viviam no litoral, foram cortados devido à floresta densa, surgindo, daí, as denominações dadas pelos exploradores portugueses de “Arrepiados” e “Coroados”.[14]

Ocupação no período colonial

Durante o período colonial a área geográfica do Vale do Carangola pertenceu à Capitania Hereditária do Espírito Santo. No século XVII, o governador da Capitania do Rio de Janeiro concedeu as primeiras sesmarias no vale dos rios Paraíba, Pomba e Muriaé até o sudeste de Minas Gerais, na atual região da Zona da Mata. Os sesmeiros da região entre os Campos dos Goitacazes, Macaé e Carangola foram os irmãos Gonçalo, Manuel e Duarte Corrêa de Sá. Com a criação da Capitania de Minas Gerais e suas três primeiras vilas no século XVIII, surgiram as jurisdições territoriais. A Vila do Ribeirão do Carmo (atual Mariana) incorporou a área geográfica constituída pelos sertões dos rios Pomba e Doce, o que incluía toda a Zona da Mata. ”.[14] Portanto, primitivamente, a área geográfica do Vale do Carangola pertenceu a Mariana. Ainda hoje as congregações marianas detém influência na região e o calendário mariano, chamado Folha Mariana é lido na região.

Primeiros povoadores do Vale do Carangola

Não se sabe exatamente a data da chegada dos primeiros povoadores de Carangola. Entretanto, a partir das primeiras décadas do século XIX, aventureiros começam a passar pela região em busca de novas terras. Uma versão diz que, no ano de 1805, a Vila de Arrepiados foi sitiada por duas vezes pelos índios Arrepiados,[14] e que, para levantar ambos os cercos, o Capitão João Fernandes de Lana, ou Lannes, financiou, armou e comandou duas “bandeiras” contra os índios. A outra versão afirma que José Lannes Dantas Brandão, vindo de São João Batista do Presídio, atual Visconde do Rio Branco, veio se refugiar nestas paragens, tendo se apossado das terras banhadas pelo Rio São Mateus. A tradição oral afirma que “os Lannes” embrenharam-se pela floresta e chegaram ao local acampando às margens de um córrego onde está atualmente o Jardim da Praça Coronel Maximiano em Carangola[15]. Não há como fixar uma data exata, mas supõe-se que tenha ocorrido durante a primeira década do século XIX, entre 1805 e 1810. Em 1820, o Guarda–Mor Manoel Esteves de Lima abriu uma picada na Serra dos Arrepiados que, passando por Carangola, penetrou na província do Espírito Santo e atingiu o litoral pela Vila de Itapemirim. Em 1833, o tenente Coronel José Batista da Cunha e Castro desbravou a região de Divino. Há indícios de que, em 1842, já existia um núcleo de povoamento em Carangola, que se chamava Arraial Novo, mudando o nome a partir desta data em homenagem aos vencidos na Batalha de Santa Luzia. Em 1842, com a derrota dos liberais liderados por Teófilo Ottoni, na Batalha de Santa Luzia os moradores do povoado de Arrial Novo, hoje Carangola mudaram o nome do lugar para Santa Luzia do Carangola em homenagem aos vencidos e para expressar solidariedade ao espírito liberal e democrático daqueles que lutaram na proximidades do Rio das Mortes. Em 1848, Manoel Francisco Pinheiro e José Gonçalves de Araújo introduziram na região a cultura do café, plantando os primeiros exemplares em Caiana.

Orizânia no mapa da Capitania das Minas Gerais de 1780

Nos mapas da Capitania de Minas Gerais, de 1780, já consta o Rio Carangola com esse nome e o traçado ali delineado demonstra que o cartógrafo tinha conhecimento exato do curso desse rio. Mas constitui ainda uma incógnita, se algum aventureiro, ou bandeirante, esteve ou ao menos passou por Carangola durante o século XVIII, ainda que fosse a Zona Proibida[15] Antes da delimitação do povoado e construção da praça a localidade onde se situa a sede da cidade já tinha importância no trajeto dos que vinham das Minas Gerais com destino a Campos dos Goytacazes ou Capitania do Espírito Santo. Há registro de paragem de tropa na rua onde hoje se situa a Igreja cuja continuidade é o trecho final da Rua José Rodrigues Damasceno.

Orizânia na rota do descaminho do ouro

Durante o século XVIII, a Zona da Mata, onde está situado o Vale do Carangola, era interditada à exploração econômica, constituía a chamada Zona Proibida para evitar o contrabando do ouro produzido no centro da Capitania. A medida governamental visava obter um melhor controle, de forma que o ouro escoasse para o Rio de Janeiro somente através do Caminho Novo. Havia, inclusive, vigilância para evitar penetrações.[15]
Mesmo assim, algumas penetrações foram empreendidas por ordem de alguns governadores. Duas dessas, entretanto, aproximaram-se do Vale do Carangola.
Em 1734, Matias Barbosa da Silva, o grande explorador e um dos abridores da Picada Goiáz, por ordem do Conde das Galvêias, atingiu as Escadinhas da Natividade, fundando, então, o presídio do Abre Campo. Dessa forma, um núcleo de povoamento foi instalado a menos de seis léguas do Alto da Fumaça, nascente do Rio Carangola.
Vindo das Minas Gerais, passando por Abre Campo, após 40Km o viajante cruzava a Serra da Onça transpondo a Bacia do Rio Doce, onde se encontram as nascentes do Riacho de São Domingos, afluente do Rio Matipó, e do Rio Manhuaçu, atingindo – do outro lado - a nascente do Rio Carangola, onde se situa Orizânia. Para chegar a Campos dos Goytacazes, na Capitania do Rio de Janeiro bastava ao viajante seguir o curso do rio.

Formação administrativa

Elevado a distrito[16] criado com a denominação de São Sebastião do Alto Carangola, pelo decreto estadual nº 195, de 22 de setembro de 1890, composto por sua povoação e a de Bom Jesus.
Pela lei estadual nº 391, de 18 de fevereiro de 1891, o povoado de São Sebastião do Carangola, foi transferido de Manhuassu para o município de Carangola.
Pela lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, subordinado ao município de Manhuassu.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito se denomina São Sebastião do Alto Carangola e figura no município de Carangola.
Pela lei estadual nº 691, de 11 de setembro de 1917, a sede do distrito foi transferida para Santo Antônio do Arrozal e instalada na Vila do Choro.
Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1 de setembro de 1920, o distrito de Santo Antônio do Arrozal (Choro), figura no município de Carangola.
Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, o distrito de Santo Antônio do Arrozal passou a denominar-se simplesmente Arrozal. Na verdade a sede do distrito foi mudado da Vila do Choro (Santo Antônio do Arrozal) para Alto Carangola. Este foi um período de pequena importância da Vila de Alto Carangola, agora chamada simplesmente de Arrozal.
Pela lei estadual nº 1128, de 19 de outubro de 1929, o distrito de Arrozal toma o nome de Alto Carangola.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933 figura no município de Carangola o distrito de Alto Carangola.
Assim permanecendo em divisões territoriais datada de de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937.
Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, o distrito de Alto Carangola voltou a chamar-se Arrozal e foi incorporado ao novo município de Divino.
As várias mudanças de nome refletiam as lutas políticas das elites rurais locais para estabelecimento da sede do distrito, ora em Alto Carangola ora no Choro. Não se tratavam apenas de troca de nome do Distrito, mas de mudança do local de sua sede, da localidade tradicionalmente conhecida como Alto Carangola para outra chamada de Choro distando 2 km.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939/1943, o distrito de Arrozal (ex-Alto Carangola), figura no município de Divino.
Pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Alto Carangola tomou a denominação de Orizânia e retornou ao local onde situava-se a Vila de Alto Carangola. Desde então a sede do distrito não mais saiu do Alto Carangola onde hoje é a sede do Município.
Em divisão territorial datada de 1 de julho de 1960, o distrito de Orizânia, figura no município de Divino. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1995.
Os mais antigos moradores do Município ainda se referem a ele como Alto Carangola, nome que designa a nascente do Rio Carangola.
Como não mais é relevante a produação de arroz no município e os moradores se orgulham de ostentar a nascente do importante rio da região, há movimento de moradores pretendendo a retomada do nome tradicional Alto Carangola.
Elevado à categoria de município com a denominação de Orizânia, pela lei estadual nº 12030, de 21 de dezembro de 1995, desmembrado de Divino.
Alto Carangola, sede no antigo distrito de Orizânia constitui o distrito sede do Município de Orizânia, instalado em 1 de janeiro de 1997.
Em divisão territorial datada de 2001, o município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007 até a presente data.

Alterações toponímicas distritais

[16] São Sebastião do Alto Carangola para Alto Carangola, alterado em 1911. Alto Carangola para Santo Antônio do Arrozal, alterado para Arrozal, pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923.
Arrozal para Alto Carangola, alterado pela lei estadual n° 1128, de 19 de outubro de 1929.
Alto Carangola para Arrozal, alterado pelo decreto-lei estadual nº 148, de17/12/1938.
Arrozal para Orizânia, alterado pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 31 de dezembro de 1943.

Transferências distritais

[16] Pela lei 391, de 18 de fevereiro de 1891, transfere o distrito de São Sebastião do Alto do Carangola do município de Manhuassu para o de Carangola.
Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, transfere o distrito de Arrozal (ex-Alto Carangola) do município de Carangola para o de Divino.